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· Ahhhhh apagou...: cérebro feminino desliga durante o orgasmo

 REVISTA ISTO É, MEDICINA & BEM-ESTAR, EDIÇÃO Nº 1863,29/06/2005

Conhecer as diferenças do cérebro feminino e masculino é um campo de pesquisa sedutor. Já se sabe que essas estruturas são diferentes em termos de anatomia e atividade. Na semana passada, o pesquisador Gert Holstege, da Universidade de Groningen (Dinamarca), deu sua contribuição à discussão sobre as características de cada sexo. Especialista em neurociência sexual, ele estudou as reações de 11 homens e 13 mulheres e seus respectivos pares durante o ato sexual. A conclusão surpreendente é que áreas do cérebro feminino relacionadas com o controle das emoções (o medo, por exemplo) simplesmente se desligam no clímax. Nos homens, ao contrário, essas regiões mostram maior atividade. "É uma constatação de algo que as teorias psicológicas sobre emoções sempre afirmaram", avalia Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo especializado em sexualidade, de São Paulo. As novas informações, além de darem pistas para entender o comportamento de homens e mulheres, sugerem a necessidade de haver tratamentos específicos para cada sexo.

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·  As alegrias da adoção: Celebridades, políticos e pessoas comuns adotam crianças sem exigências e sem preconceitos

REVISTA ISTO É, COMPORTAMENTO, EDIÇÃO Nº 1863, 29/06/2005 , Eliane Lobato e Rita Moraes, Colaboraram: Luciana Sgarbi, Lui zCláudio Cunha, de Brasília, e Osmar Freitas Jr., de Nova York

Um bebê rosadinho, de preferência do sexo feminino, saudável e sem antecedentes comprometedores ainda é o sonho da maioria das pessoas que pensam em adotar uma criança no Brasil. Mas a busca desse bebê - que muitas vezes preenche uma lacuna afetiva na família - passa por um processo de revisão. Um movimento mais generoso, encabeçado por personalidades nacionais e internacionais, começa a dar cores mais vivas a esse quadro. O casal de atores Marcello Antony e Mônica Torres, o humorista Juca Chaves, a cantora Elba Ramalho, o jogador Roberto Carlos e estrelas como Nicole Kidman, Tom Cruise, Sharon Stone e Angelina Jolie mostram que a alegria de adotar é ainda maior quando se coloca o olhar sobre as necessidades das crianças. Suplantando diferenças raciais e problemas de saúde, eles afirmam unânimes que filhos, adotivos ou naturais, são sempre do coração.

 "A gestação de um filho biológico é algo mágico, mas ser escolhido por um bebê também é. A criança ideal é a que precisa ser adotada", diz Mônica Torres, mãe biológica de Isabel, 19 anos, e adotiva de Francisco, dois. O marido, Marcello Antony, também declara amor imensurável por Francisco. "Adotamos um menino mestiço, com problemas de saúde hoje já superados. Nossa felicidade não poderia ser maior." O casal se prepara para adotar uma menina que já tem nome, Clara, e até quarto, mas ainda não é uma criança definida. "Estamos em processo", conta Antony. Mônica teve cinco abortos espontâneos, mas não adotou para suprir uma carência pessoal. "Planejamos ter filhos biológicos primeiro e depois adotar. A ordem apenas se inverteu", diz a atriz.

Juca Chaves e a esposa, Yara, também não se cansam de comemorar a vinda das duas Marias que alegram a casa - Maria Clara, sete anos, e Maria Morena, cinco. Juntos há três décadas, o casal não planejava ter filhos, mas um relógio interno soou e eles começaram a visitar orfanatos. "Apesar de o Brasil ter uma população morena, todos querem lourinhas. Na Bahia, 80% são negros, a raça mais bonita do mundo. Não faria sentido adotar uma criança branca", diz ele. Aos 66 anos, safenado recentemente, o humorista fala sério: "Com amor, tudo dá certo." A cor da pele, a saúde frágil e principalmente a idade são realmente fatores excludentes. Quem olha os números de candidatos a pais e o de crianças na fila da adoção pode achar que a equação é simples. O número de casais é maior que o de crianças. Em São Paulo, no ano passado, havia 6.049 pais brasileiros, 231 estrangeiros e apenas 571 crianças e adolescentes. "Mas esses ninguém quer. Ou têm idade muito avançada ou algum comprometimento físico ou mental", explica o juiz Reinaldo Cintra, secretário da Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional.

Sonho - É por isso que ações como a da comissária de bordo paulistana Izamar Chamorro, 43 anos, causam perplexidade. Ela tem três filhos biológicos e 13 adotivos, dos quais seis têm defasagem cognitiva. Ela adotou grupos de irmãos e nunca se preocupou com a idade deles. "Sempre quis adotar. Ter família grande era um sonho de criança", diz. Para dar conta da família, ela contratou um cozinheiro e uma empregada. No mais, é uma mãe normal: "Procuro não faltar às reuniões com professores. À meninada, dou muito amor, castigos e até uma palmada, se precisar", diz.

Algumas pessoas realmente surpreendem pela disposição. O bombeiro curitibano Ozair de Jesus Ribeiro Filho, 45 anos, viveu uma experiência que o sensibilizou tanto que ele não parou mais de adotar. Depois de salvar um recém-nascido jogado numa vala, ele recebeu 18 crianças e adolescentes, mesmo já tendo filhos biológicos. Hoje, ele e a mulher, Rosicler, têm 21 filhos, entre oito e 21 anos. "Nós fomos nos ajeitando. Fizemos uma escola no quintal para atendê-los, que prosperou e tem hoje 300 alunos", conta a mãe, a pedagoga Rosicler, 40 anos. Apesar de ter tantos filhos, Rosicler mostra corujice típica de mãe amorosa. Registra em um caderno as histórias e gracinhas de todos e, toda semana, faz uma "entrevista" com cada um. "É um momento nosso. Eles adoram", diz.

O acolhimento às crianças órfãs ou que são afastadas de suas famílias por estarem em risco social é feito por abrigos públicos. O problema é que muitas delas ficam lá tempo demais. E, nesses casos, pesa a morosidade da Justiça. No Brasil, não há dados precisos sobre o contingente de crianças abrigadas, mas a maioria não está disponível para adoção. Segundo o livro O direito à convivência familiar e comunitária, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 87% dessas crianças têm família e 58% mantêm vínculo com pais ou parentes.

Estudo - O Instituto pesquisou 20 mil crianças e adolescentes em 589 instituições que recebem recursos federais. A maior parte delas fica na região Sudeste (49,1%). Os principais motivos de abrigamento são carência de recursos materiais (24,2%); abandono (18,9%); e violência doméstica (11,7%). Mais da metade dos abrigados são meninos (58,5%), afrodescendentes (63,6%) e têm entre sete e 15 anos (61,3%). "Entra ano, sai ano, essas crianças continuam nos abrigos", diz a psicóloga Lídia Weber, autora de cinco livros sobre o tema. "Algumas passam a infância inteira no abrigo. Depois dos três anos, é difícil ser adotado." Na tentativa de minorar esse problema, tramita um projeto de lei na Câmara Federal que propõe, entre outras questões, prazos para o Judiciário resolver a vida das crianças sob proteção do Estado.

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·  En la tierra de bambi: Zapatero quer fazer da Espanha o país mais politicamente correto da Europa, mesmo que muitos espanhóis discordem

Revista Veja, Edição 1911, 29 de junho de 2005, Ruth Costas

Quando se tornou secretário-geral do partido socialista espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, hoje primeiro-ministro da Espanha, recebeu da imprensa o apelido de Bambi, numa alusão ao jeito meigo do personagem de Walt Disney. Sensível e idealista, Zapatero de fato passa longe do estereótipo do homem ibérico - conservador, machista e teimoso - com o qual os espanhóis foram identificados por muitas décadas. A fragilidade que o apelido sugere, porém, não faz jus à obstinação, muitas vezes quixotesca, com a qual ele tenta impor uma revolução de costumes e valores à sociedade espanhola. Neste ano, o governo socialista legalizou o casamento gay. A Bélgica e a Holanda também reconhecem a união civil de pessoas do mesmo sexo, mas a Espanha foi mais longe. Ao chamá-la de "matrimônio", elimina qualquer distinção entre o casamento tradicional - isto é, entre um homem e uma mulher - e o homossexual. Para completar, permitiu-se que casais gays adotem crianças.

O empenho de Zapatero em criar um país pluralista, garantindo a igualdade entre os sexos e os direitos civis das minorias, não poderia ser mais politicamente correto. O problema é que a Espanha que está sendo criada nos gabinetes do governo pode estar um tanto à frente da Espanha real, formada por gente que nem sempre vê as mudanças como bons ventos de modernidade. Além disso, algumas medidas beiram o absurdo. Um exemplo é a aprovação parlamentar de uma emenda ao Código Civil que obriga os casais a dividir as responsabilidades domésticas. Criada para acabar com a praga dos maridos que não levantam um dedo para ajudar a mulher nas tarefas da casa, a cláusula fez com que lavar, passar e cozinhar se tornassem deveres reconhecidos por lei na Espanha. "Não posso imaginar como o governo pretende fiscalizar isso", disse a VEJA o cientista político Manuel Pastor, professor da Universidade Complutense de Madri. "Por isso, não dá para levar essa lei a sério."

Sempre que as leis caminham muito mais rápido que as idéias e os costumes da sociedade que pretendem regular, tendem a ser ignoradas ou a gerar polêmica, dividindo a população em grupos pró e contra as mudanças. Entre as iniciativas que causaram controvérsia estão a anistia a 700.000 imigrantes ilegais, um projeto para conceder incentivos fiscais à empresa que colocar mulheres em cargos de chefia e, mais do que qualquer outra, a questão do casamento gay. No fim de semana passado, 180.000 pessoas tomaram as ruas de Madri para protestar contra o que consideraram uma ameaça à família e ao casamento tradicional. E, evidentemente, padres deram declarações furiosas. Historicamente, o país ficou fora da revolução de idéias que transformou o resto do continente, a partir do século XVIII, e chegou tarde às reformas sociais do século XX. Durante as quase quatro décadas de ditadura, Francisco Franco buscou inspiração ideológica no catolicismo mais conservador. Até hoje, apesar de apenas 19% da população ir regularmente à missa, um terço dos espanhóis voluntariamente doa à Igreja uma parcela dos impostos que pagaria ao Estado.

Por isso, a pluralidade que Zapatero também quer impor na área religiosa encontra resistência. Os votos que o elegeram, três dias depois do atentado cometido por fanáticos islâmicos que matou 192 pessoas em Madri, foram sobretudo um protesto contra o modo desastrado com que o governo anterior lidou com a tragédia. Para muitos espanhóis é incompreensível que Zapatero tenha aumentado o apoio financeiro a organizações muçulmanas e, ao mesmo tempo, suprimido o ensino obrigatório da religião católica nas escolas em nome da diversidade religiosa. As medidas são coerentes com as convicções pessoais de Zapatero, que se define como um feminista e é obcecado por criar uma Espanha multicultural. Mas também fazem parte de cálculos estratégicos para alçar a esquerda de volta ao centro da arena política espanhola.

O politicamente correto é a única bandeira que resta para os socialistas, já que na área econômica o projeto da oposição, desenvolvido nos oito anos do governo conservador de José María Aznar, se mostrou vitorioso e garantiu para a Espanha um lugar no Primeiro Mundo. "No que diz respeito à economia e aos modelos de desenvolvimento, existe consenso entre a direita e a esquerda espanholas", disse a VEJA o sociólogo Victor Sampedro, professor na Universidade Rey Juan Carlos. Os espanhóis estão 75% mais ricos do que eram trinta anos atrás e suas cidades se tornaram vitrines do que há de moderno e arrojado na arquitetura contemporânea. A exuberância econômica foi acompanhada por um desabrochar cultural que levou ao reconhecimento internacional nomes como o do cineasta Pedro Almodóvar. No bojo desse processo, a sociedade espanhola se arejou e ficou mais receptiva aos valores culturais que vêm de fora. O que não quer dizer que esteja pronta a abraçar toda e qualquer mudança sem pestanejar, como supõe Zapatero. "Não adianta os projetos do governo serem politicamente corretos. O que interessa é saber se vão ser socialmente efetivos e se os espanhóis estão preparados para colocá-los em prática", diz Sampedro.

  As políticas do "bem"

 Além de casar, os homossexuais podem adotar crianças

 O Congresso aprovou mudança no Código Civil para obrigar o marido a assumir tarefas domésticas

 700 000 imigrantes ilegais devem receber visto de trabalho e o direito de trazer sua família

 Metade dos ministérios e a Vice-Presidência foram entregues a mulheres

 Discute-se mudança nas regras de sucessão para permitir que uma mulher chegue ao trono

 Em nome da diversidade, o governo quer ouvir os grupos separatistas, um tabu no país

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·  O meu, o seu, o nosso: Disposições sobre herdeiros do novo Código Civil complicam o casamento

Revista Veja, Edição 1911 . 29 de junho de 2005, Sandra Brasil

Em vigor há dois anos e meio, o novo Código Civil, reformado para enterrar disposições ultrapassadas e assim facilitar a vida dos cidadãos, está tendo efeito exatamente oposto em casos específicos: alguns de seus artigos complicam ainda mais o campo minado das relações de família. Os problemas eram amplamente previsíveis. Aprovada depois de tramitar longos 27 anos no Congresso, sob a justificativa de que melhor era passar como estava e depois consertar, a legislação nasceu com defeitos sabidos e alguns projetos já foram apresentados para remendar o texto. A disposição mais problemática é a que rege a divisão de bens do casal em caso de morte do cônjuge e afeta em especial pessoas maduras já no segundo ou terceiro casamento, com filhos próprios e patrimônio que prefeririam manter independente. O regime de separação parcial ou total de bens resolvia isso pelas regras anteriores. Agora, porém, ele só vale em vida. Ao cônjuge sobrevivente de um casamento (não da união estável, motivo pelo qual muitos estão optando por não casar) a nova legislação dá direito inalienável a parte da herança. No jargão jurídico, ele é chamado de herdeiro necessário. A intenção era boa: proteger mulheres, em geral casadas com homens mais velhos com separação total de bens, que na viuvez ficavam desamparadas. Ignorou-se porém o caso de casais em que ambas as partes têm independência econômica e querem que seus bens sejam herdados apenas pelos respectivos filhos. Pois aí o problema aumenta: quando o cônjuge sobrevivente também vem a morrer, seus filhos de casamento anterior se tornam herdeiros do patrimônio construído por uma pessoa com a qual têm muito pouca relação efetiva. Um exemplo corriqueiro: o segundo marido da mãe morre, ela fica com parte da herança, que será repassada aos filhos dela quando falecer.

A mudança no código alterou os planos da jornalista Maria Cristina Lima Piloni, 56 anos, e de seu marido, o professor universitário aposentado Pedro Piloni, 55, de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Quando eles se casaram, em 1997, optaram pelo regime de comunhão parcial de bens porque não queriam misturar o patrimônio adquirido anteriormente. Na época, Maria Cristina tinha três filhas do primeiro casamento e uma casa; Pedro idem. A sua casa, ele trocou por outra maior, onde a nova e grande família foi morar. "Ele comprou a casa maior com dinheiro dele. Em caso de morte, o bem deve ficar para os filhos dele. Já a minha casa é das minhas filhas", diz Maria Cristina. Pelo novo Código Civil, que se aplica inclusive a matrimônios contraídos antes de sua implementação, o desejo expresso dos envolvidos não vale mais. Quem se for primeiro deixará para o outro obrigatoriamente 25% de todos os seus bens, pré e pós-casamento, sendo os 75% restantes divididos entre os filhos próprios. Para evitar que o caso termine em um tribunal, o casal está buscando saídas - o que não é fácil, pois a legislação é recente, há pouca jurisprudência e ninguém sabe direito onde pisar. Piloni prefere cortar eventuais disputas pela raiz: "Digo aos meus filhos que gostaria de deixar tudo para uma instituição filantrópica". Sua mulher discorda. "Estou pensando em doar a casa às meninas, com usufruto meu", explica.

A doação com usufruto é uma alternativa a que alguns casais estão recorrendo: passa-se o bem para o filho, mas não o direito de dispor dele como quiser. Como se trata de ato irrevogável, tem de ser muitíssimo bem pensada. "A pessoa pode levar um dia para doar e passar uma vida se arrependendo. Se surgir a necessidade de vender o imóvel, por exemplo, isso não será possível sem autorização dos beneficiados", alerta o advogado paulista Luiz Kignel, especialista em direito de família. Kignel conta que, desde que o novo Código entrou em vigor, cresceu em seu escritório o movimento de clientes em busca de um outro mecanismo para amainar conflitos de herança: o testamento. Por esse instrumento, é possível destinar em vida metade do patrimônio - a chamada parte disponível - para quem quiser ou dividi-lo da maneira que julgar justa. Nos 50% restantes, prevalecem as disposições da lei. Através desse mecanismo, pode-se reduzir a herança obrigatória do cônjuge a 12,5% do total. "Antes de o código mudar, eu fazia dois testamentos por mês. Hoje, chego a acompanhar dezesseis", contabiliza Kignel. Registrado em cartório, um testamento que envolva bens pode custar 800 reais.

Quem decide pela união estável pode optar, através de pactos assinados em cartório, tanto pela comunhão parcial - aquela que só inclui o companheiro sobrevivente na partilha de bens adquiridos depois da união - como pela separação total do patrimônio. Mesmo esses casais, no entanto, não estão seguros de que seus herdeiros serão quem eles querem que sejam. Desde o início de seu relacionamento, que já dura onze anos, os empresários Djanira Silveira Amaral, 54 anos, e Afrânio Tavares Bueno, 56, decidiram que não iriam se casar no papel e morariam em casas separadas no município paulista de Jaú, a 310 quilômetros da capital. Cada um tem quatro filhos do primeiro casamento. Todos os oito rebentos, com idade entre 20 e 30 anos, já deixaram a casa dos pais. Em maio de 2003, uma filha de Bueno, Gilda, que é advogada especializada em direito de família, sugeriu que o casal formalizasse um pacto de união estável estabelecendo a separação total de bens. "Fizemos o contrato para evitar problemas futuros. Com a nova lei, poderia surgir alguém alheio ao nosso núcleo, como um ex-marido ou ex-mulher de um dos filhos, exigindo parte da herança", explica Bueno. Na ausência de um pacto, vale a regra do casamento com comunhão parcial: quem sobrevive fica com metade do que foi adquirido durante o relacionamento.

Vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família e autora do recém-lançado Manual de Direito das Famílias, a desembargadora gaúcha Maria Berenice Dias critica a transformação do marido ou esposa em herdeiro necessário. "O direito de concorrência foi criado para beneficiar o cônjuge. Quando o casal só tem filhos comuns, não há problema, mas não é essa a realidade brasileira", diz. Ela chama atenção para outro aspecto do novo Código que considera igualmente injusto: o que determina que pessoas com mais de 60 anos só podem se casar no regime de separação total de bens, sugerindo que a partir dessa idade homens e mulheres estão incapacitados para escolher. A regra foi criada em 1916, quando apenas 5% da população brasileira tinha mais de 60 anos. Hoje, quase 10% dos brasileiros têm essa idade ou mais, e a expectativa de vida, que era de 34,08 anos em 1910, subiu para 71,3 anos em 2003. Berenice fala com conhecimento de causa. Com três filhos do primeiro casamento, a desembargadora, que mora em Porto Alegre, está no quinto relacionamento: mantém há cinco anos uma união estável com o professor de direito constitucional Sérgio Resende de Barros, 64, que mora em São Paulo e tem dois filhos de outro casamento. O casal não se casou e nem pensa em fazê-lo, inclusive por inconformismo com a legislação. "Posso formar advogados, mas sou considerado pelo Código incapaz de gerir o meu patrimônio", critica Barros. "O novo Código Civil está fora do seu tempo. Nasceu ultrapassado", afirma. Autor de projetos para mudar as distorções da lei, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) diz que as alterações estão na pauta, mas não há como prever quando serão votadas.

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·  Beleza russa, tipo exportação: Modelos, tenistas, misses e, sobretudo, esposas - a Rússia tornou-se um celeiro que abastece o Ocidente com mulheres bonitas

Revista Veja, Edição 1911 . 29 de junho de 2005, Ruth Costas

A beleza elegante das russas está na moda. Altas e de traços delicados, elas estão nas capas das revistas de moda, nas passarelas, nos filmes de Hollywood e nos concursos de beleza. A canadense Natalie Glebova, vencedora do concurso Miss Universo deste ano, é uma imigrante russa. Nas pistas de tênis, brilha a loiríssima siberiana Maria Sharapova, a desportista mais bem paga do momento. Além de bonitas, as russas são bem-educadas e estão desesperadas por um marido estrangeiro. Com esses predicados, são as preferidas dos americanos e europeus que tentam encontrar uma noiva por intermédio de sites e agências especializadas em casamentos internacionais. Eles pagam 100 dólares para consultar o cadastro de jovens disponíveis e outros 3.500 dólares para viajar a Moscou ou São Petersburgo e conhecer as pretendentes reunidas pelas agências. "Os americanos e os europeus preferem as russas porque acham que elas são menos exigentes que suas conterrâneas", disse a VEJA a historiadora Barbara Engel, professora da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, especialista em história das mulheres na Rússia.

Elas tendem realmente ao tipo Amélia. Em geral, estão dispostas a fazer todo o trabalho doméstico, tomar conta do marido e, muitas vezes, ainda trabalhar fora. Tudo isso sem reclamar. Para completar o quadro, faltam homens na Rússia, onde se estima existir um excedente de 10 milhões de mulheres. A maior parte das russas que procuram estrangeiros para casar tem entre 18 e 35 anos e grau universitário. São engenheiras, contadoras e professoras que recebem salários baixíssimos e têm de suar para pagar as contas. Frustradas com a falta de empregos e oportunidades numa Rússia ainda trôpega na economia de mercado, essas jovens sonham em tentar a sorte no exterior e vêem na união com estrangeiros uma chance de melhorar de vida.

Outro fator que contribui para que uma em cada três russas de 17 a 25 anos sonhe em casar com um estrangeiro são os maus hábitos de seus conterrâneos. Um adulto na Rússia bebe em média o equivalente a 14 litros de álcool por ano, mais do que o dobro do que consome um americano. Os índices de alcoolismo são altíssimos e os casos de violência doméstica, freqüentes. Não é à toa que as taxas de divórcio na Rússia estão entre as mais altas do mundo - e que as divorciadas, muitas vezes com filho, ajudam a engrossar as filas de pretendentes a um príncipe encantado europeu ou americano. A situação atingiu tal intensidade que se converteu em tema de controvérsia política. Um partido de inspiração fascista, o Liberal Democrata, até apresentou ao Parlamento um projeto de lei para deportar as mulheres "pouco patriotas" que resolvem se unir a homens de outras nacionalidades. Os ultranacionalistas referem-se às jovens russas como um "tesouro nacional" e propõem que os bens daquelas que "traem a pátria" sejam distribuídos entre seus parentes ou expropriados pelo Estado.

Com tantas demandas sentimentais a explorar, o negócio das agências de matrimônio e sites que oferecem aos solteiros a oportunidade de conhecer mulheres russas está crescendo num ritmo exponencial. Ao procurar pela expressão "Noivas russas" em inglês no site de buscas Google é possível encontrar mais de 1 milhão de páginas na internet. Misturados a agências sérias, há vigaristas cujo único objetivo é extorquir dinheiro dos incautos e outros que alimentam redes de pornografia e prostituição. Mesmo os casamentos arranjados por empresas sérias envolvem riscos para ambos os lados. Em alguns casos as mulheres estão interessadas apenas no dinheiro de seus pretendentes e eles só descobrem a enrascada em que se meteram quando as esposas já deram no pé, levando o que puderam carregar. "Já as jovens noivas russas correm o risco de encontrar pela frente um parceiro violento", diz a cientista política Norma Noonan, autora do livro As Mulheres Russas na Política e na Sociedade. "Como muitas jovens não conhecem ninguém nem falam a língua do país em que estão, dependem de seus noivos para tudo e ficam muito vulneráveis." É aí que o sonho de uma vida tranqüila e um casamento perfeito pode virar pesadelo.

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· Chega ao Brasil canal de sexo para mulher

Folha de São Paulo, Ilustrada, domingo, 26 de junho de 2005, DANIEL CASTRO

A operadora de TV paga Sky, segunda maior do país, começa a distribuir nesta quarta-feira o canal americano Playgirl, o primeiro disponível no Brasil com programação erótica feita por e especialmente para mulheres.

"A gente sabe que as mulheres são metade da audiência dos canais eróticos, como Sexy Hot e Playboy TV. Mas as pesquisas indicam que elas não gostam de cenas em que as mulheres são subjugadas", diz Ricardo Rihan, diretor de programação da Sky.

A base do conteúdo do Playgirl não são filmes, mas encenações curtas de fantasias eróticas narradas por mulheres. Há também sexo explícito, mas as mulheres sempre aparecem no comando, a fotografia valoriza o corpo do homem _que vira objeto sexual.

A Sky já fez pesquisas com mulheres para avaliar o conteúdo do canal. "Elas adoraram a produção, que é mais refinada. O material não explícito não foi tão bem recebido. É um tabu achar que mulher não gosta de conteúdo mais apimentado", afirma Rihan.

O executivo diz que viu dez DVDs com programação do Playgirl e não viu uma única cena de mulher transando com mulher. De mulher com dois homens, há, mas eles estão a serviço dela.

Vendido pelo sistema "pay-per-view", o Playgirl será inicialmente oferecido em blocos de duas horas de conteúdo, por R$ 10. Mas tende a ser vendido em pacotes mensais e de fins de semana.

E-mail - daniel.castro@uol.com.br

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· Publicidade não pode se pretender ingênua

Folha de São Paulo, Ilustrada, domingo, 26 de junho de 2005, BIA ABRAMO

Desta vez , foram os educadores que protestaram. O "xis" da questão é uma propaganda da Volkswagen que estimularia a cola: em uma sala de aula, meninas tentam espiar o exercício dos colegas. Dois garotos recusam e recebem olhares de reprovação; um terceiro, ao contrário, levanta o braço e deixa a colega olhar. Sob os dois primeiros, uma legenda explica que serão engenheiros de empresas concorrentes da Volks; o terceiro, será um futuro profissional da empresa.

É tão eloquente em relação a estereótipos e preconceitos que dá preguiça: o respeito à regra é coisa de alemão e o jeitinho com pitadas de contravenção, brasileiro, meninos tornam-se engenheiros enquanto meninas conquistam na base do charme; a imagem da situação escolar como ambiente opressivo que só os otários levam a sério e por aí vai.

Educadores reclamaram, a Volkswagen dá uma desculpa ótima: que a situação representada no comercial não seria de prova e sim, de exercício em sala de aula. Como se se não estivesse na situação formal de prova, a "falta" ficasse atenuada - qualquer professor diria que não faz a menor diferença.

Ainda segundo a montadora, "o objetivo do comercial é mostrar que as outras marcas alemãs são tão boas quanto a Volkswagen, [...] mas são exclusivistas. Como conclui o filme, a tecnologia da Volkswagen está ao alcance de todos". A defesa é capenga demais e não consegue responder a contento a questão: por que é que a publicidade flerta com a deseducação e os preconceitos?

O anúncio da Volkswagen é só mais um entre muitos que se utiliza, mais ou menos levianamente, de imagens e situações em que se mostram comportamentos moralmente discutíveis, para dizer o mínimo. De certa forma, como eles, os publicitários costumam se justificar, poderia parecer que não é nada além do que já acontece em termos sociais ou seja, refletiria uma crise pesada (e bota pesada nisso) de valores etc. Esse argumento "realista" talvez colasse, mas só se a gente não lembrasse que propaganda não é, como querem fazer acreditar os publicitários, arte.

Há um grau de intencionalidade (e, portanto, de controle) na elaboração de uma peça publicitária que afasta qualquer possibilidade de representação simplesmente. Ao representar, a publicidade carrega cada detalhe de valores -afinal, o anúncio serve para distinguir um produto entre outros, para convencer que "a" é melhor que "b", que isso deve ser consumido, e aquilo não, e assim por diante.

A publicidade, portanto, não tem o direito de se pretender ingênua. Ela serve para que o consumidor faça escolhas bem diretas, bem específicas e, nesse sentido, quando abandona o simplismo (compre o produto tal) e parte para os chamados conceitos, acaba por se constituir como uma das formas mais veementemente morais que circulam hoje em dia. O que, evidentemente, é um problema e grande.

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· Camisinha e roupão lilás. É a visita íntima

O ESTADO DE S.PAULO, METRÓPOLE, Domingo, 26 de Junho de 2005, Marinês Campos

Silvana Madalena Pires, de 35 anos, mal pode esperar pelo último sábado de cada mês. Nesse dia, se enche de perfume, recebe seu "kit íntima" e mata de inveja as colegas dos quatro pavilhões da Penitenciária Feminina do Tatuapé. Sem um maridão como o da moça condenada por tráfico, as prisioneiras o vêem chegar todo arrumado e passar três horas com a mulher na ala especialmente construída para o encontro amoroso.

Não há luxo nem sinal de erotismo na "íntima", como é conhecido o pequeno anexo do presídio. A cama é de cimento, as paredes são brancas e o kit é simples - dois roupões de tecido felpudo na cor lilás, um lençol, uma colcha, um sabonete e seis envelopes com preservativos. Mas quem precisa de espelhos, banheira de hidromassagem e cama macia e redonda diante da oportunidade de ficar juntinha do amado?

DIREITO CONQUISTADO

Três anos atrás, quando conquistaram o direito adquirido pelos homens em 1987, as mulheres passaram a tentar comprovar vínculo estável para poder receber a visita íntima uma vez por mês. As duas diretoras dos presídios que implantaram o sistema imaginavam uma superlotação de maridos carentes.

Mas não foi o que aconteceu. Das 665 mulheres que cumprem pena na Penitenciária do Tatuapé, na zona leste, há só 35 inscritas para a visita e a média de homens que aparecem para o encontro é de 5 por mês. Em 2002, 16 celas foram reservadas para os encontros. Mas, como a oferta era maior que a procura, a solução foi devolver o espaço para o cumprimento das penas e construir uma ala. O novo espaço, pronto há cinco meses, pode receber até 12 casais.

O mesmo aconteceu na Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru, na zona norte. Das 700 presas, só 30 se inscreveram para a visita íntima e, mesmo assim, dos 20 quartos construídos num anexo em 2002, boa parte fica vazia. O problema é que os maridos preferem aproveitar a folga do fim de semana sem enfrentar filas nas portas das cadeias. Por isso Silvana é considerada uma felizarda: "Tenho um marido de ouro. Contamos nos dedos os dias que faltam para o encontro." Além de comparecer nas datas marcadas, leva o almoço para a refeição a dois na ala íntima: "Ele traz macarrão com frango e, às vezes, até yakissoba."

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·  Marta: sentença vai ser anulada: Para ela, suspensão de direitos políticos não terá efeitos práticos

O ESTADO DE S.PAULO, METRÓPOLE, Quinta-feira, 23 de Junho de 2005, Eduardo Nunomura

Foi com absoluta tranqüilidade que a ex-prefeita Marta Suplicy recebeu as notícias de que seus projetos políticos estão ameaçados e garantiu que está convencida de que nada foi feito de errado na sua gestão. Nos dois casos em que está sendo questionada, a petista acredita que agiu corretamente e por isso não deve ser punida tão drasticamente, como a possibilidade de não concorrer às eleições do ano que vem. Ela é pré-candidata do PT ao governo do Estado.

Os advogados de Marta já dão como certa a anulação da sentença da juíza Christine Santini, que suspendeu por três anos os direitos políticos da ex-prefeita. E afirmaram que recorrerão da decisão judicial.

Anteontem, saiu no Diário Oficial de Justiça a decisão da juíza por causa da contratação sem licitação da organização não-governamental GTPOS, fundada por Marta em 1987. A juíza determinou pagamento de um salário da prefeita.

A ex-prefeita não quis dar entrevista, mas em nota oficial a sua Assessoria de Imprensa afirmou que a decisão da juíza, da 14ª Vara da Fazenda Pública, não tem "efeitos práticos no momento, e que a sentença é nula porque teve registro em cartório no dia 9 de junho, sendo que dois dias antes o Tribunal de Justiça havia concedido liminar suspendendo o processo em primeira instância".

O Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS) foi contratado em 2003 para capacitar professores da rede municipal de ensino a dar orientação sexual aos estudantes. O valor dos contratos foi de R$ 2,029 milhões. A ex-prefeita atuou na ONG até 1994 e depois disso se tornou presidente de honra da instituição. O GTPOS desenvolveu projetos para outros governos, como os de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

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·  Gene permite gravidez após os 45 anos: Identificação de perfil que possibilita concepção espontânea tardia pode ajudar em tratamento para infertilidade

Folha de São Paulo, Cotidiano,  quarta-feira, 22 de junho de 2005, CLÁUDIA COLLUCCI, ENVIADA ESPECIAL À COPENHAGUE

Mulheres com um perfil genético especial podem conceber espontaneamente após os 45 anos, anunciaram ontem pesquisadores israelenses durante o congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, que acontece em Copenhague (Dinamarca). Eles identificaram a maneira como esse gene se expressa e esperam que isso possa ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a infertilidade na idade tardia.

Segundo Neri Laufer, da Universidade e Hospital Haddassah, de Jerusalém (Israel), sua equipe estudou um grupo de 250 mulheres acima de 45 anos, que engravidaram espontaneamente. Em geral, há menos de 1% de chance de as mulheres engravidarem com seus próprios óvulos nessa faixa etária. A partir dos 43 anos, médicos já recomendam a gravidez com óvulos doados. "Nessa idade, os óvulos não tem qualidade. Então, pensamos que devia haver um fator especial que permitira essas mulheres conceberem", afirmou Laufer.

A grande maioria das pesquisadas tiveram vários filhos e baixa taxa de aborto, fatores que sugerem uma habilidade natural de escapar do processo de envelhecimento ovariano. Laufer explica que decidiu checar se havia diferença entre a expressão do gene dessas mulheres e de outras que só conceberam antes dos 30 anos.

Foi colhido sangue e analisado DNA das células dessas mulheres. A conclusão foi a de que aquelas que conceberam após os 45 parecem ter uma predisposição genética única que as protege contra a morte celular (apoptosis) do ovário. "Não sabemos ainda se o sucesso reprodutivo está relacionado com uma potencial longevidade", disse Laufer.

Segundo o ginecologista Eduardo Motta, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há estudos que mostram que sim: essas mulheres também teriam maior longevidade. "Mas elas são a exceção da exceção."

Identificando mulheres com essa expressão genética, os médicos poderão saber quais ainda estarão férteis numa idade avançada e poderão aconselhá-las melhor a respeito disso.

A jornalista CLÁUDIA COLLUCCI viajou a convite do laboratório Ferring

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·  Juíza torna Marta inelegível por 3 anos: Ela considerou que petista cometeu ato de improbidade ao contratar ONG; para defesa, TJ já havia suspendido processo

Folha de São Paulo, Cotidiano, quarta-feira, 22 de junho de 2005, CONRADO CORSALETTE

A juíza Christiane Santini, da 14ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, condenou a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) à perda dos direitos políticos por três anos.

De acordo com a decisão, a petista -pré-candidata ao governo do Estado- e a ex-secretária da Educação Maria Aparecida Perez cometeram ato de improbidade administrativa (mau uso do dinheiro público) ao contratar em 2003, sem realizar licitação, o GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual).

O GTPOS, que também foi condenado pela decisão, é uma ONG da qual Marta foi fundadora. A ex-prefeita manteve-se ligada à entidade como coordenadora técnica até 1994. Depois disso, a petista recebeu um cargo simbólico de presidente de honra do grupo.

A defesa de Marta e da ex-secretária considera a decisão da juíza nula. Eles afirmam que ela não teria respeitado uma determinação do Tribunal de Justiça, pedindo a suspensão de qualquer decisão do processo para que a entidade tivesse tempo de apresentar uma defesa mais ampla. A determinação, porém, foi tomada dias após a conclusão da juíza.

O GTPOS foi contratado em março de 2003 pela gestão Marta para formar professores e coordenar atividades de orientação sexual nas escolas da rede municipal. Em agosto daquele ano, o contrato foi aditado, pois as creches foram incluídas no programa. O valor pactuado entre prefeitura e entidade foi de cerca de R$ 2 milhões. A administração paulistana alegou na época que não seria preciso licitação por se tratar de um grupo sem fins lucrativos e de experiência na área.

A ONG atua ou já atuou nas administrações de Florianópolis, Campo Grande, Santos, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. Em São Paulo, desenvolveu projeto semelhante durante o governo Luiza Erundina (1988-1992).

Segundo o coordenador-geral do projeto e diretor da entidade, Antonio Carlos Egypto, 33 profissionais realizaram um trabalho até dezembro do ano passado que atingiu 100 mil alunos e 8.000 professores da rede municipal.

Apesar de o contrato com a prefeitura prever o pagamento de R$ 2 milhões, a entidade ficou sem receber, segundo Egypto, cerca de R$ 400 mil. Isso porque foi atingida pela falta de pagamentos do final da gestão Marta. O GTPOS vai receber R$ 100 mil da gestão José Serra (PSDB) neste ano. O saldo será parcelado até 2012, segundo os critérios de renegociação da dívida com fornecedores.

O diretor da entidade afirma ainda que o aditamento feito no contrato -que inclui as creches ligadas à prefeitura no projeto de orientação sexual- foi de 25%. Não ultrapassou, portanto, os limites estipulados na legislação.

Interesses

Tanto Egypto quanto os assessores de Marta negaram qualquer conflito de interesses no fato de a ex-prefeita já ter integrado os quadros técnicos da entidade e ser um de seus fundadores. "Temos projetos com o governo federal desde o governo Itamar Franco", afirmou Egypto. "Não vejo conflito de interesses na contratação", completou o diretor da GTPOS.

A defesa de Marta diz que as multas determinadas pela sentença à ex-prefeita, à ex-secretária e à entidade não fazem sentido, já que não houve prejuízo aos cofres públicos, pois o serviço foi feito.

OUTRO LADO

"Decisão é nula", afirma defesa de ex-prefeita

Defensores da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e da ex-secretária da Educação Maria Aparecida Perez afirmaram que a decisão da 14ª Vara da Fazenda Pública é nula. "Respeitamos a decisão, mas divergimos do procedimento", disse o advogado Pedro Serrano.

Segundo Serrano, a juíza Christiane Santini, autora da decisão, não teria levado em conta uma determinação do Tribunal de Justiça (TJ).

O despacho que suspende os direitos políticos de Marta, Cida Perez e do GTPOS (Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual) data de 2 de junho. A decisão foi registrada em cartório no dia 9.

Dois dias antes, porém, o TJ protocolou o resultado de um recurso de autoria do GTPOS. Segundo decisão do desembargador Moacir Peres, havia "risco concreto no prosseguimento do processo capaz de gerar dano de difícil reparação".

Segundo o advogado de Marta e de Cida Perez, a questão estava no fato de suas clientes e a entidade não terem tido "amplo direito de defesa" durante o processo. Além de pedir a nulidade da decisão, Serrano estuda entrar com recurso para reverter a sentença da juíza. A GTPOS também vai recorrer.

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·   Ataque a Gabeira cria saia-justa em evento no Rio

O ESTADO DE S.PAULO, METRÓPOLE, Quarta-feira, 22 de Junho de 2005 , Clarissa Thomé

Durante uma palestra do chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-RJ), o diretor-executivo do instituto, Marcos Varejão, fez ataques pessoais ao deputado federal Fernando Gabeira (PV) para desqualificar sua campanha pela descriminação da maconha: "É bom lembrar que esse Gabeira é um seqüestrador, um usuário de maconha e, dizem as más línguas, não sou eu que estou dizendo, é um homossexual. O que ele diz não é para ser levado em consideração", afirmou.

O comentário provocou mal-estar na platéia e deixou constrangido Lins, que falava sobre segurança pública para 20 executivos. Ele se limitou a baixar os olhos.

O ataque a Gabeira aconteceu depois de Lins explicar que era contra a descriminação da droga. "Eu até já debati esse assunto com o deputado Fernando Gabeira. O traficante não vai deixar as armas, pegar a carteira de trabalho e se inserir no mercado de trabalho. E é um contra-senso o governo fazer tanta campanha contra o fumo e liberar a maconha e a cocaína", disse o policial.

O deputado não quis comentar as declarações de Varejão. "Certamente ele tem uma opinião conservadora a meu respeito", disse.

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·  Juíza suspende direitos políticos de Marta por contrato sem licitação: Advogado da ex-prefeita vai tentar anular a decisão, porque ela saiu depois que desembargador impediu qualquer sentença

O ESTADO DE S.PAULO, METRÓPOLE, Quarta-feira, 22 de Junho de 2005, Eduardo Nunomura, Thélio de Magalhães

A juíza Christine Santini, da 14ª Vara da Fazenda Pública, em sentença publicada ontem no Diário Oficial da Justiça, decidiu suspender os direitos políticos de Marta Suplicy até 2008. A ex-prefeita é pré-candidata do PT ao governo de São Paulo. Proferida em 2 de junho, a sentença condena ainda a petista a pagar multa equivalente ao seu salário de prefeita em março de 2003. A pena foi por causa da contratação sem licitação da organização não-governamental GTPOS, fundada por ela. Cabem recursos à decisão.

A sentença só tem efeitos práticos quando forem esgotados todos os recursos. Isso pode se arrastar na Justiça por anos. O advogado da ex-prefeita Pedro Serrano, que tem 15 dias para apresentar recurso, afirmou que entrará com um mandado de segurança ou reclamação ao relator do Tribunal de Justiça para tornar nula a decisão de Christine. "Respeitamos a conduta da juíza, mas divergimos da forma como procedeu."

Em 4 de fevereiro, o Diário Oficial publicou decisão da juíza Christine, recebendo a ação por ato de improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público Estadual (MPE). O GTPOS recorreu, afirmando que não havia consistência para a ação ser proposta. Argumentou que o MPE não demonstrou danos aos cofres municipais. E requereu liminar para que o processo ficasse suspenso até o julgamento final do recurso.

No dia 22 de fevereiro, o desembargador Moacir Peres, do Tribunal de Justiça, negou a liminar. Mas no dia 6 deste mês reconsiderou a decisão e concedeu liminar para suspender o processo. Na prática, impedia que a juíza desse qualquer sentença sobre o caso. Argumentou que existia "risco concreto e real, no prosseguimento do processo, capaz de gerar dano de difícil reparação, não só às agravantes, mas ao próprio interesse da Justiça".

Mas quando saiu a liminar de Moacir Perez já era tarde, uma vez que a juíza havia proferido a sentença que é datada de 2 deste mês. "Ela alega que havia dado a sentença no dia 2, mas oficialmente só foi registrada no dia 9, quando não podia mais fazer isso", disse o advogado Serrano.

A ação movida pelo MPE pretendia anular a contratação do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS) em 2003 e cujo valor dos contratos superou R$ 2,029 milhões. Por ter sido fundada por Marta Suplicy em 1997 e cuja presidência de honra ocupou até 2000, a promotoria suspeitava que teria havido favorecimento na escolha da ONG.

Além de Marta, foram condenados no mesmo processo a ex-secretária de educação Maria Aparecida Perez e o GTPOS. A ex-secretária também teve os direitos políticos suspensos num prazo de três anos. Se a sentença se confirmar, ambas estarão impedidas ainda de fechar contratos ou receber benefícios fiscais ou de crédito com o poder público. A co-ré GTPOS foi condenada a multa de 30% dos valores recebidos pelos contratos.

Aprovação de contas aumenta tensão entre tucanos e PT

Iuri Pitta e Silvia Amorim

A aprovação do balanço de 2004 da gestão Marta Suplicy (PT), anteontem, pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), aumentou a polêmica entre tucanos e petistas. O prefeito José Serra (PSDB) disse que recebeu a Prefeitura em situação "pior" do que a ex-prefeita, ao contrário do que pensam os conselheiros do órgão. Por sua vez, a gestão passada reafirmou que o dispositivo que fez com que as contas tivessem respaldo na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) foi copiado do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

"Não tem paralelo, imagina", disse ontem Serra. "Recebemos R$ 2,1 bilhões de restos a pagar em aberto. Eles (gestão Marta) receberam R$ 1 bilhão." O prefeito explicou que não iria "julgar" a decisão do TCM.

Coube ao líder do governo na Câmara, José Aníbal (PSDB), fazer ataques mais contundentes. "O parecer não resiste a nenhuma análise mais profunda. Se disseram que havia R$ 91 milhões de sobra no caixa, por que ela não pagou a parcela da dívida de dezembro, que fez a Prefeitura ter R$ 55 milhões seqüestrados pelo Banco do Brasil?"

O líder do PT na Câmara, João Antônio, respondeu que "mentira tem perna curta" e o "TCM restabeleceu a verdade". Assim como a equipe de Marta, ele lembrou que o cálculo para a sobra de R$ 91 milhões em caixa ocorreu com base em um dispositivo copiado da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estadual de 2002, último ano do primeiro mandato de Alckmin.

O secretário-adjunto de Estado de Economia e Planejamento, Carlos Luque, explicou que o dispositivo, também incluído no projeto da LDO para 2006, tem foco em contratos continuados, e não em uso indiscriminado. "Não teria sentido deixar em caixa um aluguel de imóvel de todo o ano seguinte."

Denúncia foi publicada pelo 'Estado' em julho

ORIENTAÇÃO SEXUAL: Em julho, o Estado publicou uma série de reportagens tratando dos contratos sem licitação assinados pela Prefeitura com entidades do terceiro setor e fundações. Entre 2003 e 2004, a Prefeitura gastou R$ 176 milhões com esses contratos. Em alguns casos, os serviços foram terceirizados. O GTPOS teve três contratos com a administração passada. Em março de 2003, a ONG foi contratada por R$ 1,6 milhão para dar aulas de orientação sexual nas escolas da cidade. Cinco meses depois, foi feito um aditivo de R$ 400 mil para que incluir aulas de orientação sexual para funcionários de creches que atendiam crianças de 0 a 5 anos. Um integrante da ONG disse que eram freqüentes dúvidas sobre "masturbação e ereção de bebês". O último contrato, de R$ 375 mil, era para o desenvolvimento de projeto de "sexualidade e direitos reprodutivos" nas escolas.

Para ONG, sentença é injusta e ignora qualidade do trabalho

Coordenador do GTPOS, condenado a ressarcir 30% dos mais de R$ 2 milhões previstos em contrato, vai recorrer

A decisão da juíza Christine Santini não questiona os trabalhos realizados pela ONG da ex-prefeita, mas visa a punir Marta Suplicy, a ex-secretária de Educação e o próprio GTPOS por ter ocorrido uma contratação sem licitação na Prefeitura. "Não houve caracterização de dano", sentenciou a juíza. O coordenador técnico da ONG Antonio Carlos Egypto, que vai recorrer da sentença, acha que ainda assim o trabalho realizado em mais de mil escolas nunca teve seu valor reconhecido.

"O que está se deixando de lado é um trabalho educativo de alta qualidade, realizado por uma ONG sem fins lucrativos e com o maior empenho, seriedade e dedicação à população, que ainda hoje precisa desse tipo de intervenção", desabafou ontem. "Isso mereceria ser aplaudido e não condenado."

Egypto considerou a decisão "absolutamente injusta" e não leva em consideração o trabalho desenvolvido nas 31 subprefeituras paulistanas, com a capacitação de professores para dar orientação sexual aos estudantes. Os técnicos se reuniam semanalmente nas escolas fundamentais e de jovens e adultos, quinzenalmente nas infantis e creches. Segundo ele, parte dos custos de mais de R$ 2 milhões se referia à distribuição de materiais.

O GTPOS foi condenado a ressarcir 30% do valor do contrato. Mas, segundo suas planilhas, a ONG cobrou 10% de taxa de administração pelo contrato com a Prefeitura, nos anos de 2003 e 2004. Ficaram como restos a pagar R$ 430 mil para a atual administração, de José Serra (PSDB), que pagou R$ 100 mil neste ano e o restante foi parcelado em sete anos.

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·  Poluição do ar reduz nascimento de meninos: Estudo revela que, quanto maior o índice, maior a desproporção entre o sexo de bebês

O ESTADO DE S.PAULO, VIDA&, Quarta-feira, 22 de Junho de 2005, Lígia Formenti

Além de reduzir a expectativa de vida e aumentar o risco de doenças cardiorrespiratórias, os altos índices de poluição atmosférica são agora apontados como responsáveis por outro problema: a redução do nascimento de meninos. Estudo inédito do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que reuniu dados epidemiológicos e pesquisas em laboratório, indica que, quanto maior o índice de poluição, maior a desproporção entre nascimento de meninos e meninas.

"O trabalho mostra que a poluição afeta quem ainda não pode optar se é melhor andar de carro ou não", diz o coordenador do laboratório, Paulo Saldiva. Pesquisadores não sabem ainda quais os fatores que determinam a diferença. Saldiva avalia que a hipótese mais provável é de que o cromossomo Y, que determina o sexo masculino, seja mais suscetível a mutações. "Os óvulos estão mais protegidos que os espermatozóides."

Uma das vertentes do estudo, desenvolvida por Joabner Breda Gomes, levantou os registros de nascimento na cidade de São Paulo entre 2001 e 2003 em três áreas, classificadas de acordo com a concentração de material particulado. Naquelas onde a concentração era alta, a proporção de nascimentos de meninos era 1% menor do que a na região menos poluída. Na prática, isso significa que, na área mais poluída, nasceram 1.180 meninos a menos do que na menos poluída, entre 2001 e 2003.

"É uma diferença bastante significativa. Principalmente quando se leva em conta que, geralmente, as variações são pequenas", afirma a bióloga Ana Júlia da Faria Coimbra Lichtenfels, que coordenou a pesquisa em laboratório. Cem camundongos foram divididos em duas gaiolas. Uma com ar filtrado e outra com ar ambiente. "Nas gaiolas expostas à poluição, o nascimento de machos foi 24% menor do que na gaiola de ar filtrado", contou.

A pesquisa será apresentada durante a 4ª Conferência Internacional de Emissões Veiculares, que começa hoje em Brasília. Integrantes do encontro vão pedir a redução, em até dez vezes, pelos próximos dez anos, da emissão de óxido de nitrogênio por veículos movidos a diesel no Brasil. Pesquisadores reivindicam ainda a adoção da inspeção veicular. "Em 20 anos, seria possível evitar aproximadamente 47 mil mortes prematuras, 20 mil hospitalizações, 50 mil casos de bronquite crônica se medidas severas para a redução das emissões forem tomadas no País", disse Saldiva.

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·   Luta antiaids: Unesco faz recomendações ao Brasil

O ESTADO DE S.PAULO, VIDA&, Quarta-feira, 22 de Junho de 2005

Um estudo conduzido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) sobre a trajetória e as perspectivas da epidemia de aids recomenda que o País ponha em prática a Declaração de Doha e amplie discussão sobre a licença para medicamentos antiaids. O estudo avalia ser indispensável o aprofundamento das discussões para garantir o acesso de medicamentos a todos os pacientes.

"Essa é a opinião de gestores, integrantes de Organizações Não-Governamentais, não a opinião da Unesco", afirmou Lorena Bernadete da Silva, uma das autoras do trabalho, composto de duas pesquisas: uma quantitativa, feita a partir de questionários enviados a 328 ONGs e uma qualitativa, baseada em entrevistas com integrantes de movimentos sociais e gestores de serviços voltados para a prevenção e o atendimento de pessoas portadoras do HIV. "Por isso, a opinião tem ainda mais valor. Ela vem de quem está com a mão na massa", disse Lorena.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, no entanto, descarta a idéia de haver um "clamor" da sociedade pela licença compulsória para medicamentos usados no tratamento de aids. "Em alguns casos, o tema é defendido de forma ideológica. Mas o governo não pode pensar assim. Tem de ser cauteloso", disse.

Há quase três meses, o ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou um "ultimato" a fabricantes dos três medicamentos mais caros usados no coquetel antiaids. Na carta enviada à Merck Sharp, à Abott e à Gillead, o ministro dava prazo de 20 dias para que fabricantes revelassem se havia ou não interesse em negociar a licença voluntária dos medicamentos. Os três, juntos, respondiam por 70% dos custos de toda a produção de medicamentos antiaids. "Desde a resposta, estamos negociando. Não haverá decisão apressada", disse Barbosa.

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·  Gravidez na adolescência diminui 28% no Estado: Pesquisa mostra queda contínua nos últimos 7 anos; para especialistas, acesso dos jovens paulistas a informações sobre métodos anticoncepcionais é principal motivo

O ESTADO DE S.PAULO, VIDA& , Quarta-feira, 22 de Junho de 2005, Ricardo Westin

As adolescentes paulistas estão engravidando cada vez menos. Entre 1998 e 2004, o número de nascimentos de bebês filhos de mães de 10 a 19 anos de idade diminuiu 27,9%, segundo uma pesquisa feita pela Secretaria de Estado da Saúde.

Em 1998, nasceram 148.019 crianças de mães adolescentes no Estado de São Paulo (20% de todos os partos). No ano passado, o número de bebês foi de 106.737 (17% dos partos).

A redução dos partos de mães adolescentes em São Paulo ocorreu em todos os sete anos em que a pesquisa foi feita. Esses números, aos quais o Estado teve acesso, acompanham uma tendência nacional e recente de queda da gravidez na adolescência, depois de um aumento ao longo das décadas de 1980 e 1990. De acordo com o último Censo, a taxa nacional de grávidas com até 19 anos havia crescido 14,7% entre 1980 e 2000.

O principal motivo para a queda, de acordo com especialistas, é o fato de os adolescentes terem passado a receber mais informações - principalmente por meio da TV - sobre métodos que evitam a gravidez precoce, como o preservativo e a pílula anticoncepcional. Além disso, esses dois contraceptivos são distribuídos gratuitamente na rede pública de saúde. "Quando você soma esclarecimento e acesso, acaba chegando mais perto dos jovens", diz a demógrafa Elza Berquó, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

A médica Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente do governo paulista, diz que o fato de os adolescentes conhecerem os métodos contraceptivos não basta para evitar a gravidez precoce. "Existe uma distância grande entre conhecer e usar."

De acordo ela, uma pesquisa do início dos anos 1990 mostrou que 90% dos jovens paulistas sabiam como impedir a gravidez. Por isso, ela dirigiu o Programa de Saúde do Adolescente menos para a apresentação da camisinha e da pílula - conhecidas por meio da TV, da escola, dos amigos ou da família - e mais para o lado psicológico dos jovens. "Os meninos têm medo de falhar com a camisinha e as meninas, de não agradar se pedirem que coloquem a camisinha", conta. Na capital paulista, a Secretaria de Estado da Saúde mantém um prédio chamado Casa do Adolescente, em que os jovens, entre outras atividades, discutem seus receios em grupo e com o apoio de psicólogos.

Apesar de também ter diminuído em relação a 1998, um número que chama a atenção na pesquisa estadual é o de nascimentos de bebês filhos de mães com idade de 10 a 14 anos no ano passado: 3.229. Isso, porém, não se combate com a defesa da abstinência sexual. "O jovem está exposto a uma quantidade imensa de coisas que incentivam a sua sexualidade. É impossível querer que ele se abstenha", diz Elza. "Não se deve trabalhar com repressão", completa Albertina.

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