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Folha de São Paulo, Cotidiano, domingo, 31 de janeiro de
2010
Filmes pornôs com alunos se proliferam no Pará
Os próprios jovens filmam cenas, que trazem problemas
JOÃO CARLOS MAGALHÃES, DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
O aparecimento de um vídeo de sexo protagonizado e gravado por adolescentes
em um colégio público de Belém foi o estopim para o aparecimento de ao menos
outros seis "pornôs escolares" no Pará.
Desde que essa gravação foi divulgada na internet e foi alvo de reportagens
em outubro de 2009, a CPI na Assembleia Legislativa para investigar casos de
pedofilia passou a receber de pais, professores e diretores outras do mesmo
tipo.
O deputado estadual Arnaldo Jordy (PPS), relator da CPI, não vê uma relação
direta entre as filmagens, mas disse que a divulgação da que foi feita há três
meses pode ter incentivado outras denúncias. Todas gravações recebidas foram
encaminhadas à Polícia Civil.
Os filmes, feitos com câmeras de celulares e na maioria por iniciativa ou
anuência dos próprios jovens, são exemplos de um fenômeno que cresce no mundo, o
"sexting", anglicismo que mistura "sex" (sexo) e "texting" (mensagens por
celular).
O termo descreve o ato de se filmar ou fotografar e enviar, por celular ou
pela internet, imagens do próprio corpo em poses sensuais -e que pode acabar
gerando problemas na vida off-line de quem o pratica.
O vídeo de outubro é o exemplo típico dessa tendência. Os adolescentes (uma
jovem de 15 anos e dois de 17 anos) não tinham envolvimento afetivo. Combinaram
a gravação em conversas na internet.
O resultado foi captado pelo celular da própria menina, que também
transmitiu, ela mesma, o material para colegas, segundo a vice-diretora da
escola afirmou à Folha. À
época, a adolescente afirmou à diretora ter sido coagida pelos dois rapazes a
participar.
No dia seguinte, quase todos os alunos do colégio já tinham visto a cena. A
menina foi hostilizada. Nenhum dos três assiste mais a aulas no prédio da
escola. Outros alunos que nada tinham a ver com o vídeo passaram a ser xingados
na rua. A diretoria suspendeu, por um mês, a obrigatoriedade do uso do uniforme
-para que os alunos não fossem identificados.
Para o psicólogo Rodrigo Nejm, da ONG Safernet, a principal motivação para os
jovens fazerem os vídeos são necessidades inerentes à adolescência: ferir a
norma estabelecida e conseguir status para se diferenciar. Para ele, "gravar e
transmitir as próprias imagens supera o prazer do ato sexual".
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